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Cenário violento reforça importância da proximidade entre pais e filhos

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No início de agosto, uma tragédia chocou o Brasil. Uma família foi assassinada na capital paulista e as suspeitas recaíram sobre o filho, um menino de 13 anos. O caso ainda não foi esclarecido, mas já deixou muitos
casais aflitos, pensado no que podem fazer para evitar tragédias como essa. Minha resposta é simples: pais precisam ser pais, o que significa, entre outras coisas, proteger os filhos de ameaças externas e também deles mesmos.

Diante de fatos como esse, a tendência hoje é culpar os videogames, como há algum tempo culpavam-se a televisão e os gibis. É verdade que a mídia sobrecarrega a todos com notícias de violência, corrupção, assassinatos. Quase não se dedica a assuntos construtivos. Diz que não dariam audiência. Na televisão, artes, ciências, pessoas felizes e ajuda ao próximo ganham pouquíssimo espaço. Nos horários noturnos, há ainda o conteúdo sexual explícito. São cenas impróprias para crianças e mesmo para adolescentes. Seu cérebro em formação se acostuma com aquilo e isso é terrível, porque eles não distinguem bem a fantasia da realidade. Às vezes é impossível evitar que as crianças sejam atingidas por toda essa informação inconveniente, mas deve-se tentar.

No caso em questão, falou-se que a criança foi ensinada a usar uma arma. Ora, isso é arriscado. Ela pode aprender a técnica, sim, mas não tem noção do perigo. Mesmo sendo os pais policiais, o ideal seria não deixar a criança se aproximar das armas e mantê-las trancadas, proibidas, explicando o quanto são perigosas para pessoas não especializadas. Outra informação que surgiu foi a de que os pais haviam ensinado o garoto a dirigir. Isso, além de perigoso, é ilegal. A criança, repito, consegue aprender a técnica, mas não tem responsabilidade para a tarefa.

A essas atitudes inoportunas, poderíamos acrescentar outras que são corriqueiras. Há pais, por exemplo, que deixam filhos pequenos experimentar bebida alcoólica. Álcool é perigoso porque provoca uma sensação que pode ser considerada boa. A criança, se o sabe, pode passar a beber escondido e se viciar. Para completar, a lei proíbe bebida antes dos 18 anos. Se os pais deixam o filho beber, ele aprende que leis não devem ser respeitadas, o que não é nada bom.

Crianças não devem ser tratadas como adultos. Nem mesmo adolescentes que pareçam maduros. Eles não são. Se lembrarmos de nossa adolescência, nos assustaremos com coisas perigosas que fizemos e que só não foram fatais por sorte: andar de carona com amigo que bebeu, experimentar drogas, sair com desconhecidos. Jovens são impulsivos e não percebem o perigo. Por isso digo que os casais devem proteger os filhos de si mesmos. Devem estar atentos, ter tempo para eles, ouvi-los, não como amigos, mas como pais, impondo limites com carinho e firmeza, e não acreditando em tudo que eles dizem.

Não adianta enchê-los de atividades, deixando-os sem tempo para brincar e se relacionar com seus pares. Isso os transforma em adultos precoces e estressados. Deixemos que vivam o seu tempo, mas não os deixemos sozinhos. Eles precisam de orientação, de ver teatro, cinema, exposições, ler, ouvir boa música. Precisam dormir bem, ter horários, praticar esportes, alimentar-se de maneira saudável. E quem deve cuidar disso são os pais. Para jovens saudáveis e que têm outros interesses, videogames não são perigosos.


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