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Cacá Ottoni, a Morgana de 'Malhação', sonha interpretar Rita Lee nos cinemas

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Apesar de ter começado a fazer teatro de forma incerta, hoje Cacá Ottoni (21) não tem dúvidas de que nasceu para atuar. Revelação em Malhação, novela teen da Globo na qual interpreta Morgana,  a atriz que foi descoberta na faculdade colhe os frutos de anos de dedicação.

“Trabalhei com vídeos para uma campanha sobre gravidez na adolescência, simulação de enchente em evento ecológico, curtas universitários e produções independentes, baby-sitter da minha prima, fotos e eventos”, contou a jovem artista em entrevista exclusiva à CARAS Online.

Agora figurando entre os destaques do folhetim, Cacá faz planos para um futuro de muito trabalho. Além de uma peça de teatro em parceria com Guilherme Prates (19), que interpretou Dinho na produção, e outras novelas, ela quer realizar o sonho de interpretar Rita Lee (65) nos cinemas. “Sempre tive vontade de representar alguém que existiu de fato, como o Daniel de Oliveira fez com o Cazuza, acrescentou ela.

- Você já é atriz desde os 13 anos. Como e quando você escolheu essa profissão?
A princípio, tive grande resistência em relação ao teatro por ser muito tímida. Adorava assistir e só, não me imaginava fazendo de jeito nenhum. Aos nove anos, ainda morando no Rio de Janeiro, resolvi arriscar e descobri que no palco era diferente, que lá eu conseguia me soltar e com isso até amenizar minha dificuldade de me relacionar na vida. Porém, ainda não tinha pretensões profissionais, tanto que optei pela capoeira quando os dois cursos passaram a ocupar o mesmo horário. Aos 13 anos me mudei para Friburgo e lá decidi que era essa a minha forma de expressão. Comecei a fazer teatro não só na escola como também num centro cultural da cidade. Formamos um grupo, o Usina Teatro, com a professora que tenho como a maior responsável pela minha escolha, Daniela Santi. Deste grupo, quase todos os integrantes permaneceram no ramo, alguns como atores e outros como diretores, cenógrafos ou figurinistas. Também através desse grupo tive contato com Volker Quandt, um mestre alemão de teatro do improviso e foi em um de seus workshops que consegui um estágio na Cia de Teatro Do Nada, o que me proporcionou o retorno ao Rio de Janeiro aos 17, além do primeiro contato com o teatro profissional.

- Você sempre teve o apoio dos pais e familiares?
Meus pais, também artistas – pai escritor e mãe artista plástica – sempre me apoiaram. A arte não assusta lá em casa, muito pelo contrário, é o caminho padrão da família. Minha mãe ficou mais apreensiva quando o meu irmão caçula anunciou a sua escolha por Administração de Empresa. Ela me ligou desesperada e disse: ‘Ai Carolina, será que ele tá se privando do que gosta só por causa do mercado e de dinheiro?’. Depois todos respeitaram também sua opção, que por sinal já mudou, graças a Deus [risos]. Estou brincando, é claro, mas o respeito lá em casa é regra fundamental para qualquer questão e o amor pelo ofício escolhido sempre esteve em primeiro plano. Estou acostumada com essa vida instável, repleta de incertezas e já vivi muitas vantagens e desvantagens dessa escolha.

- Como foi a abordagem para participar de Malhação?
Uma amiga minha me encontrou no jardim da faculdade e avisou sobre uma seleção de elenco para uma série jovem. Mandei meu material para ela e, no dia seguinte, o Fábio Zambroni, produtor de elenco, me telefonou. A princípio pensei que a Malhação e a série jovem fossem trabalhos distintos, fiquei abismada com a quantidade de possíveis trabalhos na mesma semana, mas no primeiro teste já entendi que se tratava da mesma proposta. Fui chamada para uma segunda etapa, uma dinâmica de grupo onde conheci grande parte do elenco, além de outros candidatos aos personagens, e mais tarde me telefonaram anunciando que tinha passado.

- Você ficou nervosa no teste?
Não costumo ficar nervosa em testes, embora tenha feito poucos na vida, mas na segunda etapa rolou um frio na barriga, sim. Saí confiante, com a certeza de que tinha feito o melhor que conseguia.

- Antes de entrar em Malhação você já fazia alguns trabalhos como atriz para se sustentar fora da casa dos pais?
Antes da Malhação lidava com dois caminhos paralelos na minha vida profissional: a minha pesquisa como atriz e artista, nos últimos anos muito atrelada a faculdade, e o meu ganha-pão, que eram freelances nem sempre relacionados ao fazer teatral em si. Trabalhei com vídeos para uma campanha sobre gravidez na adolescência, simulação de enchente em evento ecológico, curtas universitários e produções independentes, baby-sitter da minha prima, fotos e eventos. Conseguia conciliar bem essas trajetórias e, embora às vezes exaustivo, era até divertido. Conheci muita gente devido a essa diversidade de empregos temporários e alguns se tornaram grandes amigos.

- Como você se sentiu ao entrar pela primeira vez no Projac como funcionária da Globo?
Me senti feliz, com um pouco de estabilidade. Mais segura e confortável, embora a experiência não tenha sido menos desgastante do que a loucura dos trabalhos temporários. A rotina na TV não é fácil e cheia de regalias como muitos pensam. Devido à dimensão do produto, a equipe envolvida é imensa, tal como a responsabilidade de cada integrante, independentemente de sua função. É uma dedicação intensa e diária de diretores, técnicos de som, atores, camareiros, figurinistas, maquiadores, cabeleireiros, figurantes... É muita gente mesmo!

- O que você tem em comum com a Morgana? E quais são as principais diferenças com sua personagem?
Eu e a Morgana compartilhamos uma dualidade em relação à personalidade. Mantemos, de certa, forma o pé no chão, temos um compromisso com o estudo, uma disciplina acadêmica, mas algo conosco está fora de ordem, fora da nova ordem mundial em relação a nossos pensamentos. Temos uma capacidade de habitar outros lugares através da leitura ou da arte, no meu caso. ‘Pé no chão e cabeça nas estrelas’, me disse o Luiz Henrique Rios, nosso diretor geral, uma vez. Assim como a Morgana, sou muito distraída e tenho alguns momentos de suspensão. Foi esse lado que me fez optar pela arte, provavelmente. Além disso, meus pais se assemelham um pouco com o Nando (Leo Jaime) e a Tizinha (Vanessa Lóes), pais da Morgana na trama. Meu pai sempre teve menos 'pé no chão' e minha mãe mais 'cabeça nas estrelas' do que eu.

- O que você gostaria que acontecesse com a Morgana na vida amorosa?
Eu gosto muito da Morgana. Com essas modificações ocorridas no início desse ano, me dei conta do quanto sentirei falta dela quando a novela acabar. Desejo muito que ela finalmente viva um grande amor, como tanto procura, e que se realize nesse sentido, seja lá quem for o escolhido. Ela merece!

- Como é o clima nos bastidores de Malhação?
Muito corrido e o melhor impossível ao mesmo tempo! Sou apaixonada por esse elenco. Fiz grandes amigos e estar entre pessoas queridas é sempre a melhor opção. Nunca imaginei encontrar figuras tão incríveis na Malhação, que equivocadamente é tantas vezes subestimada por quem não conhece os integrantes. Aprendi muito nos bastidores e vivi grandes momentos. Compus, escrevi e tive conversas inesquecíveis!

- Você esperava fazer tanto sucesso na TV?
Não me considero fazendo muito sucesso na TV. Estou me empenhando ao máximo e colhendo bons frutos. Trabalhar com uma equipe tão maravilhosa foi, sem dúvida, a maior e melhor surpresa de 2012. Reconheço o sucesso da temporada e do grupo em geral, o que me deixa extremamente feliz!

- Como você se sente ao ser abordada nas ruas?
Todo caso o reconhecimento é sempre bem-vindo e independe do lugar. O retorno do público tem sido bem positivo, não passei por nenhuma situação constrangedora até agora.

- Seus pais, amigos e familiares te dão dicas sobre sua atuação?
Acredito que seja difícil dar dicas sobre atuação, é algo tão pessoal e específico. Recebo elogios e críticas e penso neles quando estudo as cenas. Procuro buscar mais perguntas do que respostas em relação a minha execução.

- Você continua fazendo faculdade? Como está sua rotina desde que começou a?
Tranquei a faculdade e estou me dedicando quase que integralmente a novela. Tenho um projeto de peça com o Gui Prates, que começaremos a ensaiar neste mês, e pretendo voltar para a faculdade em maio. A rotina na TV é intensa e na Malhação especificamente, o elenco jovem grava quase todos os dias por ser praticamente um núcleo só.

- O que você aprendeu na trama e irá levar para toda a sua vida profissional?
Nossa, tanta coisa! Aprendi tudo que sei em relação ao posicionamento de câmera e termos relacionados a ela, não tinha noção de absolutamente nada. Aprendi como há pessoas pensando (e muito!) na TV, pois, às vezes, nos deixamos levar por determinados ‘achismos’ totalmente equivocados. Aprendi a me situar na Barra da Tijuca, que para mim era outro país até então. Aprendi que ter senso crítico é diferente de julgar antes de conhecer, de verdade.

- O que você planeja fazer depois da novela?
Tenho esse projeto de peça com o Guilherme Prates, com direção de Bernardo Lorga e texto de Jô Bilac e Clarice Lissovisky, boto fé nesse time! Também sonho me aventurar pelo cinema e por outros trabalhos na TV. Gostaria de continuar desenvolvendo o que aprendi na Malhação em relação à linguagem do vídeo, mas, por enquanto, só o retorno aos palcos já é suficiente para me deixar superentusiasmada.

- Qual personagem você sonha fazer na TV?
Uma vilã seria bem diferente e desafiador.

- Planeja fazer cinema também?
É meu maior sonho atualmente. Fiz alguns curtas e desde então fiquei com uma sede de experimentar mais essa linguagem! Sempre tive vontade de representar alguém que existiu de fato, como o Daniel de Oliveira fez com o Cazuza ou como Chaplin parodiou Hitler, enfim... Há pouco tempo descobri quem pretendo um dia fazer no cinema: Rita Lee. Tenho esse sonho arquivado desde então.


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